segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Alice não mora mais aqui

Na verdade, Alice nunca morou aqui.

Agora ela mudou-se para http://omelhorsobreonada.wordpress.com

E se você veio atrás da Alice, procura num filme do Scorcese dos anos 70. Muito bom, por sinal.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Não. Celular no avião, não.

Sinceramente? Eu sou muito a favor de proibição de celulares em aviões. Sério mesmo. Ainda mais em épocas de passagens baratas. Já pensou o número de fudidos ligando pra dizer que estão "vuando"? Na boa, pra que você precisa de um celular ligado num avião? Não é como no carro que, de minuto em minuto, alguém te liga pra saber onde está. "Olha, a gente acabou de passar na fronteira de Goias com Minas. Já estamos chegando." E se for pra dizer que vai atrasar, dane-se. Se tem alguém te esperando no aeroporto, é só ver na tela de aviso o número do vôo e ver se está no horário ou atrasado. Pronto, é isso. Mas imagina se liberam isso. Ligação para você.

- Alô?
- Oi, Fulano. Onde você tá?
- Cara, no avião.
- Mas aonde? Em que local?
- Sei lá.
- Mas vai atrasar?
- Eu realmente não sei.
- Por que se atrasar eu não vou poder esperar aqui no aeroporto.
- Peraí que eu vou mandar o piloto acelerar aqui, beleza?

Pra que usar telefone dentro de um avião, meu Deus? "Hum! Esse lanche não tá bom. Vou pedir uma pizza. Alô? Vê uma pizza metade calabresa e a outra metade portuguesa. Não, não. Portuguesa tem ovo e ai no avião é meio ruim. Vê a outra metade presunto mesmo. A entrega? Olha, se correr ainda dá pra deixar no aeroporto de Brasília, que é onde eu vou fazer conexão."E aí vai ter gente que vai dizer: "Mas se for alguma urgência?" Dane-se. Que tipo de urgência você vai conseguir resolver num meio de um vôo? "Aeromoça, por favor: Você pode trazer um copo de água? É que a minha casa tá pegando fogo a 30.000 pés de altura. Pede pro piloto passar bem em cima pra eu poder apagar o incêndio."

Eu sou a favor de tudo dentro do avião: Laptop, Nintendo DS, PSP, cigarro, sexo, cigarro depois do sexo etc. Menos celular. A não ser que permitam o celular somente durante o vôo. Se você só pudesse usar celular numa viagem de avião eu concordaria 100%. Assim que o avião pousasse, a comissária falaria: "É terminantemente proibido o uso de aparelhos celulares em terra. A ANAC só recomenda o uso de aparelhos celulares acima dos 20.000 pés de altitude."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Arte de Procrastinas ou Como Eu Parei de Enrolar para Escrever Esse Texto

Procrastinar é uma arte. Não fazer amanhã aquilo que você pode fazer depois de amanhã tem lá seus desafios. O ato de enrolar até a última hora exige muita criatividade e jogo de cintura. A humanidade é a maior prova disso. Grandes mudanças só ocorreram nas vésperas do pior acontecer. E se aconteceu, é sinal que não era tão pior assim. Tanto que ainda estamos por aqui.

Não confunda procrastinação com pregruiça. Aliás, chamar alguém de preguiçoso não deveria ser uma ofensa. A preguiça não é pecado. Se bem praticada, a preguiça é uma dádiva. Os preguiçosos conseguem apreciar mais do que ninguém cada minuto da vida. Principalmente aqueles cinco minutinhos que ficam entre o despetador e o olhos abertos.

Também não confundir procrastinador artista com artista procrastinador. O procrastinador artista é aquele que mede exatamente o tempo entre o “Cedo demais” e o “Me fodi”. Já o artista procrastinador é o profissional da arte que enrola para fazer seu trabalho. Com raríssimas exceções – desconhecidas até hoje – artista procrastinador é um pleonamo. E do vicioso.

O procrastinador autêntico, o de raiz, tem timing. Mais do que ninguém ele sabe quando começar um trabalho, mesmo que falte dez minutos. Quem procrastina bem está um passo a frente das Leis de Murphy. É o único vício que o dependente sabe a hora de parar. Prazo curto é a maior liga do procrastinador. Não é a toa que passar muito tempo de férias é entediante. Não tem prazos estourando.

O que não vale é procrastinar a troco de nada. A má procrastinação é a que não tem justificativas. Se você enrola para ver o jogo do domingo, tudo bem, pelo menos você torceu e se divertiu. Agora se você continua vendo Faustão depois, aí não tem como forçar. Você pode enrolar para ler Douglas Adams, mas não para Paulo Coelho. Você deve assistir O Poderoso Chefão pela vigésima vez, mas Rambo IV pela primeira é desperdiçar tempo.

Infelizmente algumas pessoas não entendem essa arte. Pensam que qualquer distração é procrastinar. Mentira. Para se tornar um procrastinador artista existe uma regra básica: só procrastine por algo que seja mais interessante que suas prioridades. Sexo é a melhor forma de procrastinar porque, se você não consegue cumprir o prazo, pelo menos você não se fode sozinho.

Para se tornar um grande procrastinador artista é preciso treino. Muitas pessoas tem esse talento nato. Outras aprendem com o tempo. No fundo, a arte da procrastinação é igual a todas. Depende muito mais da intenção do que da interpretação. Quem vê essa arte sendo feita precisa entender o porquê. Senão é como alguém que vê uma obra de Picasso sem ter conhecimento: “É um espanhol maluco que teve preguiça de pintar um quadro direito.”

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De Mim para Mim Mesmo

Tava vendo um dia desses que 70% das postagens em blogs do mundo todo são do blogueiro se justificando sobre o atraso das postagens. Para quem tem blog, não é nada estranho. O problema é que a justificativa sempre vai para ninguém. Absolutamente ninguém.

Sou blogueiro consciente. Sei que não teve nenhum maluco acessando isso daqui diariamente, quiça semanalmente, esperando nova postagem. Nem eu entrei. Até mesmo porque eu, mais do que ninguém, sabia que não tinha nada novo, né não? E se alguém entrou nesse tempo sem nada, com certeza perdeu um tempo precioso da própria vida.

Mas nem tem tanto tempo que eu estou sem postar. O último post foi no dia ou logo depois da morte do Michael Jackson. E ele foi enterrado hoje. Ou seja, ela foi pra debaixo da terra como veio ao mundo: negro. Não tem dose de formol que aguente todo esse tempo. E nem mumificado ele pode ser porque ele já morreu uma múmia.

Bom, mas ao que tudo indica, as novidades prometidas a dois posts atrás estão sendo devidamente planejadas e articuladas. E da mesma forma que eu me justifiquei pra ninguém, eu vou criar a expectativa também pra ninguém. O que é muito bom, porque a única pessoa que teria expectativa sobre alguma coisa seria eu, o que é impossível, já que as novidades todas são de dentro da minha cabeça.

Enfim, é isso. Daqui a algumas semanas esse blog terá um padrão um pouco melhor, uma coisa mais profissa, mais problogger. Espero que alguém, além de mim, me cobre isso. Num futuro próximo a idéia é que esse blog vire um site agradável para ser acessado diaremente, sempre com novas informações.

Ou não.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Don't Stop 'Til Get Enough

Acho que todas as piadas possíveis já foram feitas para a morte de Michael Jackson. As que virão serão igualmente engraçadas, mas já perdem muito sem o calor da notícia. Escrever em blogs, twitters, myspaces, facebooks, orkuts etc. é mais do que redundante hoje. É mais do que um pleonamos vicioso. É necessário.

MJ não foi foda. Ele ainda é foda. Como toda grande estrela - e acredite, ele foi uma das maiores - o mito vai prevalecer por muitos séculos. Excesso de fanatismo? Creio que não. Mas é impossível não reconhecer o que foi Michael Jackson. Uma estrela que já vinha se apagando a um bom tempo. Só que quando entrou em supernova, mostrou mais uma vez porque ainda era uma estrela.

Comparações com outros artistas são desnecessárias. Cada um viveu seu auge em sua época e dizer quem foi melhor é incompreensível. Porém é preciso ter respeito não só por ter feito o albúm mais vendido do mundo, mas também pelo talento. Nunca haverá um albúm que venda mais que Thriller. Nunca haverá um novo fenomeno POP como Michael.

Jamais vou esquecer das horas que gastei vendo repetidamente os LDs - sim, um dia os Laser Discs existiram - que eu tinha de MJ. O moonwalker do clipe de Billie Jean, com as fotos da Polaroid do espião. O gongo tocado por Magic Johnson em Remember the Time e o ciúme que MJ provocou no rei interpretado por Eddie Murphy. A destruição do carro e a transformação em pantera em Black or White. Na coreografia inimitável - mas que muitos sabem alguns passos - de Thriller. Enfim, poderia citar muitas outras cenas que estão cravadas na minha cabeça até hoje.

Não sei se era dúvida a alguém, mas nunca mais haverá um artista com o tamanho do sucesso de Michael Jackson. Nunca. E não é só pela falta de surgimento de novos talentos. O mundo viveu o apogeu do POP com MJ e tudo o que veio depois não fará nem feridas em seu reinado. Essa foi uma monarquia muito parecida com muitas outras: escândalos, excessos, acusações, especulações, mundo de fadas. Mas o que diferencia essa das outras é que nessa o rei morreu, mas ninguém ousará assumir esse trono.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Projeto Futuro

Não que esse seja um lugar onde o compromisso com a regularidade existe. Mas é sempre bom explicar a quem passa por aqui ocasionalmente que mais um tempo de escuridão nas postagens se aproxima. Não, não é nada de mau. Só que, mais uma vez, vou tentar transformar um blog em uma coisa séria.

Pra falar a verdade, não existem muitos projetos além de postar com regularidade, tanto textos quanto videos, fotos, imagens e comentários, e também a criação de um podcast com a cara desse blog: totalmente descompromissado. Se vai dar certo eu não sei, mas é melhor morrer tentando do que só morrer, não é?

Acredite, isso não é um sonho passageiro de me tornar problogger, até porque se meu maior sonho fosse esse era melhor morrer antes de tentar mesmo. Todo esse "projeto futuro" vai servir pra o que sempre serviram os meus blogs: como testes e exercícios de texto, comunicação e um pouco de vadiagem também.

No mais é só o que eu posso falar agora. Não vai ter surpresa nenhuma, não. Isso é o que eu posso falar porque é só o que tenho. O resto é pura piração.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Corredores, Gôndolas e Tudo o Mais

Sempre achei todo supermercado uma bagunça. Por mais arrumado e elitizado que seja, nenhum produto está no local onde realmente deveria estar. Quando eu era criança, por exemplo, não entendia porque os salgadinhos não estavam no mesmo corredor que os refrigerantes. Não fazia sentindo nenhum o meu chocolate preferido estar a gôndolas de distância dos potinhos de iogurte. E pior: o leite condensado, um néctar dos deuses, ficar ao lado de algo tão sem graça como o creme de leite.

Os supermercados fazem de tudo para você ficar com peso na consciência. Já percebeu que produtos light e diet sempre ficam depois dos produtos normais? Não há ser humano que não pensei duas vezes em trocar por um suco de soja aquele refrigerante hipercalórico que já está no carrinho. Está para nascer o homem que não fique deprimido de pegar comidas congeladas gordurosas olhando para todas aquelas opções de hortaliças e verduras bem ao lado. Ah! Sem falar que colocar as frutas ao lado do freezer de sorvete é a maior sacanagem de todas.

Por que, por exemplo, as cervejas sempre ficam no lado oposto dos aperitivos? Esse corredor deveria seguir uma lógica: depois da cerveja, amendoins, castanhas, batatas e qualquer coisa que dê para beliscar. Sem contar, é claro, que a picanha deveria estar logo ali, passando o ovo de codorna, antes do carvão. Até entendo que botem as carnes ao fundo do supermercado, mas colocar barrinhas de cereais e biscoitos logo no outro corredor? Dê-me paciência.

Vinhos deveriam estar sempre ao lado da massa e do molho que combinam. Seria quase que obrigatório levar o kit completo. Um fettuccine ao molho Carbonara tinha que vir com qualquer tinto ligeiro. E um segurança devia ficar lá, de prontidão, para reprimir aquele que ousasse levar uma lasanha à bolonhesa com vinho branco. O que também evitaria aquele papo de enochato que gosta de ficar sugerindo vinhos estranhos para comidas simples. É aquilo que está ali e acabou.

Mas o que basicamente me irrita em supermercados é o nome que eles dão para cada corredor. Por um acaso na seção de enlatados eu consigo encontrar latinhas de refrigerante? Até onde me consta lata é lata, não importa o conteúdo. E o leite em pó que vem em lata? Não está nem nos enlatados, nem nos laticínios. Vá entender. Aliás, a parte dos laticínios é a mais sem noção de todas. Tem leite integral, leite semidesnatado, leite desnatado e ovos. É isso mesmo, ovos. Aí sempre alguém fala "Ah! Mas ovos podem ser considerados laticínios." Tudo bem. Mas se nem os queijos, nem a manteiga estão nessa seção, por que os ovos deveriam estar? Na verdade, o corredor dos laticínios não é problema do supermercado. É da língua portuguesa.

terça-feira, 31 de março de 2009

8, 12, 15, 18 ou 21 anos?

Ela já foi motivo de amor, de ódio, de casamento e de separação. Muitas mulheres já sofreram por ela. Muitos homens também. Em várias épocas teve uma importância descomunal. Em algumas culturas era divína. E ainda hoje há quem venda e, principalmente, quem pague por uma. Sim, eu tô falando da virgindade.

Primeiro que, quando se fala em virgindade, sempre a mulher vem em primeiro lugar. Até mesmo porque é o único ser que pode provar que é, de fato, virgem. O homem, não. O homem mente a vontade, fala que desde os 9 anos tava alí, pegando a empregada e ninguém pode desmentir. Acreditar, ninguém acredita. Mas desmentir jamais.

Antigamente a mulher casta era considerada sagrada.Para os incas, as virgens eram jogadas em vulcões em erupção como um sacrifício para os deuse. Ou seja, de uma forma ou de outra as incas virgens sempre se fudiam no final. Para os gregos, somente uma virgem poderia falar com os oráculos de Delfos. Os romanos, apesar do valor que davam a um bom bacanal, eram hipocritas o suficiente para exigirem mulheres virgens para casar.

Não existe religião que não fale sobre a virgindade. Judeus ortodoxos não podem nem tocar em pessoas do sexo oposto antes do casamento. Cristãos, além de manterem a castidade até o casamento, ainda acreditam na Virgem Maria, a mãe do filho de Deus. Os monges budistas são castos até a alma. E, falando sério, quem não queria o paraíso dos mulçumanos, com 70 virgens?

Durante a Idade Média casamentos reais tinham sempre que ter uma moça casta. E nessa época é que eram chatos mesmo com a virgindade. Na noite de núpcias do casal, uma comissão formada pelo bispo e alguns outros membros da corte ficava no quarto para poderem confirmar o casamento. E há quem diga que, assim que consumado o fato, os serviçais do Palácio penduravam o lençol da cama com uma mancha vermelha para que todos pudessem ver. E tenho dúvidas de onde veio o vermelho da maioria dos países europeus.

Com o tempo, a mulher passou a ganhar espaço em várias situações, mas se não fosse virgem ao casar, era mulher da vida. Na primeira constituição brasileira existe um artigo no qual todo casamento pode ser anulado se a mulher não for casta. Ou seja, o homem que casava, no fundo, no fundo comprava um cabaço. A diferença pra hoje, onde tem mulher que vende pela internet, é que antigamente saía mais caro e durava a vida todinha.

Hoje o hímem é uma espécie rara. Em extinção. E isso não quer dizer que os tempos mudaram, que as mulheres ficaram, digamos assim, mais devassas. A principal diferença de hoje é que as coisas estão ficando escassas. Com o número crescente de homossexuais, as mulheres sentem a necessidade de dar antes que não sobre nem mais um hétero. E por mais irônico que seja, essa é a mesma necessidade que alguns "homens" estão sentindo hoje.

Mas isso não quer dizer que a virgindade caiu em desuso. Hoje, o hímen virou artigo de luxo. Hoje o cabaço é que nem uísque: os de 8 anos você nem bebe, os de 12 você toma com uma preocupação enorme com o dia seguinte, de 15 já dá pra aproveitar tranquilo, de 18 é o ideal e de 21 você não toma, degusta, porque é uma peça rara. Então fica esse recado para os homens: quando você tiver uma virgem na sua frente, lembre dos uísques.

quarta-feira, 25 de março de 2009

God@heaven.org

A internet é divina. Como assim ninguém sabia disso? Pra fazer as pessoas perderem tanto tempo, com tanta devoção a blogs, twitters, orkuts, facebooks ou qualquer-site-modinha-da-hora, só com uma devoção divína. Internet virou religião. Uma crença com verdades tão convenientes quanto a Bíblia. O que eu já li de reportagem falando que tem gente vendo Orkut para interesse profissional não é brincadeira.

E hoje eu recebi um email de Deus. Juro! O título do email é DE UM SER SUPERIOR PARA VOCÊ. Como tô morando no décimo andar e pela primeira vez em apartamento, cheguei a pensar que fosse um dos meus vizinhos de cima. Mas logo vi que se tratava do Pai-Nosso. Ele assina o email logo no início, para não haver desconfiança de que possa ser um fake Dele. O Vitor Fasano sabe muito bem o que é isso.

O email é assim: "Olá, eu sou Deus. Hoje eu estarei cuidando de todos os seus problemas para você. Eu não precisarei da sua ajuda. Assim sendo, tenha uma ótimo dia. Amo você." Depois de receber isso, vou seguir o Primeiro Mandamento como nunca segui. Pra quem não lembra: "Amarás a Teu Deus sobre todas as coisas". Que assim seja. Tô com tanto job pra terminar que, se conseguir terminar tudo hoje, vai ser um milagre mesmo. Tomára que Ele intervenha na cabeça do meu professor e faça com que ele aprove de primeira minhas idéias.

O email segue melhor ainda. O P.S.(post scriptum) do email é bem maior que o texto principal. Nele Deus me diz que se eu tiver uma situação que eu não consiga "lidar"(queria saber se isso realmente é um verbo e como conjuga no presente, na primeira pessoa do singular) é para eu por na caixinha APDF. Como só conheço dois tipos de caixa, a Caixa de Entrada e a Caixa de SPAM, não sabia o que fazer até ler, um pouco mais a frente, que APDF é uma abreviação de Algo Para Deus Fazer. Mas o email diz que tudo o que eu colocar lá vai ser resolvido, como o Próprio escreve, no Meu Tempo (no Tempo Dele!). Ou seja: se fosse publicitário, Deus ia penar com os prazos.

O legal nesse email é que Deus não pede que eu envie para nenhum amigo. Mas ficaria muito grato caso eu enviasse. Isso não caracteriza o email como corrente, já que nem Deus, que é Deus, pede que eu faça isso. Mas juro que fiquei chateado quando Ele jogou na minha cara que Ele deu para a humanidade um presente único: o Livre Arbítrio. Fiquei confuso. Posso até estar enganado, mas Jesus fala, em algum momento, sobre os milagres que realiza e a única coisa que ele pode cobrar é a devoção a Seu Pai. Isso eu tenho bastante. Ou ninguém percebeu que quando eu falo de Deus eu sempre boto o nome Dele com letra maiúscula no começo?

Só duas coisas me preocupam mesmo: os erros de português e algumas pessoas que acham que são Deus. Tem um trecho em que Ele escreve
"Se a vida te trazer uma situação que você não consegue lidar, não tente resolvê-la por você mesmo(a)!". Se a vida me trazer alguma coisa assim eu juro que contrato um professor de português, quando a vida me trouxer uma graninha para pagá-lo. Aí ele poderá me trazer conhecimento, e Ele, sabedoria.

Mas a minha maior preocupação é com as pessoas que querem transformar essa mensagem divina em corrente. Olha só como muda da água para o vinho (entendeu? entendeu?):

Deus têm visto suas lutas.
Deus diz: elas estão chegando ao fim!
Uma benção está vindo em sua direção. Se você crê em Deus, por favor envie esta mensagem para 10 pessoas. Por favor não ignore. Você está sendo testado(a)!
Você têm 20 minutos para contar a 10 amigos que você os ama.

Dá pra ver que o eu-lírico do email mudou totalmente. É um humano escrevendo. Dizendo que Deus tá me vendo. É claro. Pra Ele eu sempre fico visível. Na vida e no MSN. Dizendo que minhas lutas estão chegando ao fim. Acabei de começar uma especialização. Quer dizer que eu não vou ter condições de terminar os dois anos? Será que eu vou reprovar
? E, no final de tudo, eu tenho que passar a mensagem em 20 minutos para 10 amigos, dizendo que eu os amo. Mas eu vivo dizendo isso para meus amigos, principalmente sobre o efeito de vinho (que é sagrado!). Sabe o que eu fiz com o email? Botei na Caixinha APDF. Isso é Algo para Deus fazer. Mas no Seu Tempo, e não em 20 minutos.

P.S.: É isso que é um post scriptum.

P.S. 2: Pode ter mais de um.

P.S. 3: Apesar do texto iconoclasta, eu não sou ateu e sim, acredito em Deus. Mas é uma discussão que não cabe nesse blog.

P.S. 4: Deus, se você tiver lendo meu blog, me perdoe por algo que escreve. Esse livre arbítrio é complicado!

P.S. 5: Deus, se você estiver mesmo lendo meu blog, dá uma força pra uma amiga que está chegando por aí. Ela merece muito. Infelizmente a gente aqui embaixo ainda não aprendeu a lidar com essas situações e, por isso, essa eu já coloquei na Caixinha APDF, porque perder um amigo é algo que eu nunca vou conseguir resolver.





segunda-feira, 16 de março de 2009

Gente de Rua

Não sei se muita gente sabe disso, mas o IBGE só considera uma cidade cidade quando essa cidade tem, pelo menos, a prefeitura, um bar, uma praça, a igreja da praça e o puteiro atrás da igreja. Qualquer que seja a cidade, no menor interior possível, sempre vai ter isso. E toda cidade sempre vai ter mendigos e gente que vive na rua.

Eu sei que é uma coisa muita séria falar sobre esse povo que vive na rua. Mas, se eu viver pra ajudar esse povo, quem vai ficar na rua sou eu. É muita gente pedindo em tudo quanto é canto. E o foda é que eles ganharam a concorrência dessa galera que faz malabarismo e cospe fogo. Eu não dou um centavo. Se eu quisesse ver alguém cuspindo fogo eu ligava a TV no programa da Sonião Abraão. Ali sim, só dá dragão.

O pior é saber que só existe essa gente porque tem gente que dá dinheiro. Vê se em Israel tem isso? Não tem. Dúvido alguém sobreviver pedindo dinheiro numa cidade de judeus. E fora que os mendigos não sabem o que fazer com o dinheiro. Um tempo desses saiu uma pesquisa que dizia que alguns desses pedintes faturavam R$50,00 por dia. Trabalhando 20 dias por mês serão R$1.000,00 limpos. Aí não pagam nenhum imposto, não pagam aluguel, telefone, conta de luz e água. Como é que esse povo ainda continua na rua?

Tem mendigo que pega o dinheiro e gasta tudo com bebida, cigarro, drogas e putas. Ou seja: o cara quer ser o Rico Mansur dos miseráveis. Não que o Rico Mansur faça tudo isso. Ele não fuma. Aliás, se tem uma coisa que me intriga é a profissão do Rico. Gente, ele é jogador de pólo. Ser jogador de pólo no Brasil é que nem ser jogador de vôlei de praia no Alaska.

Mas o que eu fico mais impressionado com essas pessoas que pedem dinheiro na rua ou que moram é que elas nunca estão sozinhas. Já cansei de contar quantos mendigos vi que tem cachorro. É incrível. É por isso que dizem que o cachorro é o melhor amigo do homem. Uma relação totalmente desprovida de interesse.

Outros que me surpreendem também são os cegos que pedem esmola. Vocês já repararam que sempre tem um que enxerga perfeitamente bem guiando-os na direção dos carros? O que me deixa numa dúvida muito cruel: se eles são pessoas normais, sem problemas, por que é que eles não vão trabalhar pra ajudar esse povo? Ou então facilitar mais ainda a vida do cara. Colocava o ceguinho na esquina com uma placa indicando e chegava falando: "Senhor, o senhor teria um trocado pra dar pro ceguinho da esquina?" Aí sim iria ajudar. Ou melhor: botava um surdo-mudo pra guiar os cegos. Pronto. Matava dois coelhos numa cajadada só.

P.S.: Para quem achou humor negro e de mal gosto, por favor, dirija-se a este link.

terça-feira, 10 de março de 2009

Mas e o Fenômeno?

Conversa de amigos entrando no estádio.
- O Fenômeno vai estrear hoje.
- Não vai não.
- Vai, “homi”. Tudo quanto é jornal tá dizendo isso. Disseram até que ele pediu pra jogar.
- Ele pode até ter pedido, mas não vai entrar em campo de jeito nenhum.
- Mas então por que tá todo mundo dizendo isso? Saiu até na Globo.
- Aí já não é problema meu. Vou valendo uma 20 reais e uma chulipa.
- Rapaz, eu vou apostar com você.
- Então tá feito.
- Então tá. – O homem, mesmo na dúvida, ficou na aposta.
Vinte e cinco minutos do segundo tempo.
- Tem substituição no Coringão. Olha lá! Lá vem o homem entrando. É o Fenômeno.
- Olhe bem. Acho que não é não.
- Ô, sô! Tá me chamando de mentiroso ou tá com raiva porque perdeu a aposta? É ele sim. Olhe aí, camisa número 9 nas costas, dente pra frente e a barriga.
- Então “vamo” esperar ele fazer alguma coisa dos tempos que jogava no estrangeiro pra ver se é ele mesmo.
- Mas você não tá vendo que é ele, cabra teimoso? Me paga logo os 20 reais e a chulipa.
- Dou no final do jogo. Tá ruim de pegar o dinheiro no bolso com esse povo todo aqui.
- Então tá!
Final do jogo. 2 a 0 do Corinthians em cima do Itumbiara pela Copa do Brasil.
- É, já dá pra tirar o dinheiro da aposta. “Vamo” logo que eu quero ir pra casa.
- Mas quem disse que eu perdi a aposta?
- Mas que cabra safado. Você viu o homem entrar lá e não tá querendo pagar a aposta.
- Não vi nada. O Fenômeno não entrou em momento nenhum do jogo.
- Claro que entrou. Segundo tempo, número 9 do Corinthians. Ou vai dizer que você tem amnésia e não viu o Ronaldo entrar?
- Ah! O Ronaldo eu vi entrar, sim.
- Então? Você perdeu a aposta.
- Perdi nada.
- Claro que perdeu. Acabou de dizer que viu o Ronaldo entrar.
- O Ronaldo entrou, mas e o Fenômeno?
- Mas, mas... – Pensou, pensou e, sem encontrar desculpas, tirou 20 reais do bolso e deu ao amigo.
- E o braço pra chulipa, cadê?

quinta-feira, 5 de março de 2009

Minha História com o Melhor Amigo

Fui ver “Marley & Eu” no cinema. O filme, como todos os filmes de cães que eu lembro, tem a cara de Sessão da Tarde, mas me fez pensar uma coisa que nunca tinha pensado antes: Todo mundo tem uma história com cachorros. A minha é até constrangedora de dizer e muitos vão me olhar com outros olhos, mas a verdade é que eu não gosto de cães. Nenhum deles.
Meu trauma é antigo. Começou lá nos meus quase dois anos, uma vez que, segundo a minha mãe, um cachorro roubou minha chupeta, mordeu até desfigurar totalmente a minha fonte de escape do stress infantil e enterrou como se fosse um osso. Eu não lembro nada disso, mas eu e minha mãe ficamos com ódio do cachorro. Eu porque ele me tomou o que mais me importava no mundo, com um ano e poucos meses de idade, e minha mãe porque só parei de chorar quando ela comprou outra igual.
Depois, já mais grandinho e com memória, lembro de um chiuáua de uma prima minha na casa de verão da família. Que cão estressado. O latido agudo e repetitivo incomodava demais. Não podia pingar uma bola na frente dele que ele saia latindo para todos os cantos. Nem meu pai, que trabalhava o ano inteiro, chegava com tanto estresse como esse cachorro. Parecia que ele trabalhava na bolsa e, todas as férias, as ações dele caiam. Teve um dia que ele deve ter perdido tudo e morreu num ataque cardíaco, segundo o veterinário.
Na adolescência, época que começamos a visitar os amigos com mais freqüência, passei a ir à casa de vários que criavam ou criam cachorros. Em toda casa que eu chegava, era a mesma coisa. O cão me olhava, eu olhava pra ele. Ambos sabíamos que não íamos um com a cara do outro. “Meu filho, não se preocupe. Ele não morde. Só quer saber quem é”. Todas, absolutamente todas as mães falavam isso. E lá ia o cão me cheirar para ver se deixava entrar na casa. Toda vez que recebia um convite para ir na casa de alguém que tinha um poodle sequer, eu perguntava: “Mas o teu cachorro já liberou a minha entrada?”. Eles riam e eu nunca entendia.
Já na faculdade fui fazer um trabalho em grupo na casa de um recém-conhecido. Fui o último a chegar e a saber que na casa tinha um labrador. Depois que eu entrei e sentei na mesa grupo, lembrei que não tinha passado pelo teste convencional de outras casas com cães. Com algumas horas que eu estava lá o cachorro apareceu e brincou com todos da mesa, comigo inclusive. Pensei por alguns momentos que aquilo era implicância minha com caninos. Nesse exato momento ele apareceu do meu lado, eu passei a mão entre as orelhas e, num movimento brusco, acabou pegando no focinho dele. Ele me mordeu e eu aprendi que, independente de quem seja a culpa, um cachorro não perdoa você.
Apesar da nossa história não ser de amor e carinho, acabei aprendendo bastante com os cachorros. A principal lição foi reconhecer a natureza do animal. Infelizmente a recíproca não é verdadeira. Sempre que encontro com um, recebo provocações. Ficam me cheirando pra ver se me conhecem – e eu sei que eles me conhecem. Eles são encrenqueiros, fazem de tudo para que eu perca a cabeça, que eu faça qualquer movimento pra eles revidarem. Mas eu aprendi a me controlar. Só faço questão de deixar bem claro pra todos eles – poodles, beagles, labradores, filas, pastores, dobermanns e até pitbulls – que eu não sou mais um ser que vai limpar o cocô que eles fizerem na rua.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Sonho Dourado acabou pra Cinderela

Sempre achei o Diego Hypólito dourado demais, brilhoso demais. Parece que toma banho com Lustramóveis e se ensaboa com cera da 3M. Vez ou outra ele passa talco de purpurina. Juro que não torcia contra ele, mas que ele mereceu, mereceu. Antes de mais nada é preciso respeitar os adversários e sempre, sempre lembrar que "cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém". A cautela ele não teve em entrevistas e declarações, mas quando ele caiu parecia uma galinha tentando voar.

A vontade que eu tive depois de ver a final era gritar na cara dele: "Ouro de cú é rola!". Era bem provável que ele gostasse. E, sinceramente, cair de bunda é com ele mesmo. Cair de bunda, cair de boca, cair em cima... Nessas modalidades ele é medalha de ouro. Ou melhor, ele é ANEL DE COURO. E também acho que ele deveria competir em outra modalidade da ginástica: nas argolas. E se tem uma coisa que eu não gosto nas irmãs Hypólito é que são muito metidas (sem trocadilho).


Diego, um conselho: para Londres, em 2012, leva na bagagem um pouco de humildade. Ah! E por favor: devolve a vara da Fabiana Murrer.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Rapidinhas - O Fenômeno e o Padre

FENOMENAL

Então, o Ronaldo vai ser pai pela segunda vez. Ou será que vai ser mãe? E agora, será que todo travesti vai ter filho? E se o filho for realmente do Ronaldo com a Andréia, vai ser um Fenômeno (da natureza). Engravidar traveco, taí um fenômeno recente do Ronaldo. E quando todo mundo pensava que ele e as bolas não funcionavam direito, PIMBA!, lá vai o Ronaldo ser papai de novo. É por isso que eu digo que o Ronaldo continua batendo um bolão. E ele falou pra Ana Maria Braga: "Eu queria que fosse menina!". Ele deve ter pensado a mesma coisa quando tava no motel com os travestis. E o bom de toda essa nóticia é que a família da noiva já havia perdoado o R$onaldo. Ainda bem que a mãe também perdoou. Só quem ainda não perdoou foi a Andréia.

PERTO DE DEUS

O padre anafórico Aderli de Carli (bem melhor para nome de popstar que Marcelo Rossi) pensou que era desenho animado. Comprou 500 balões da companhia ACME e encheu. E tudo para conseguir levantar vôo. E com tanta promoção da TAM e da Gol, ainda tem gente querendo inventar transporte aéreo alternativo. Tão dizendo que a notícia só foi tão comovente porque era um padre. Não acho. Inclusive acho que foi até mais sensata. Quem é o padre que não quer ficar mais próximo do Chefe para puxar saco? E disseram que o padre tava com pouca bateria e não sabia operar o GPS. A última pessoa a falar com o padre disse que as últimas palavras dele foram: "Mas quando tá piscando uma luz vermelha e tocando uma sirene no GPS, o que significa?". E depois que a igreja ficou sabendo do feito do padre, o Vaticano já anunciou que OVNIs podem existir. Ou seja, se você ver balões coloridos no céu, com uma anta "pilotando", não estranhe e nem avise os Bombeiros, certamente não é o padre.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A Evolução do Futebol

O futebol já evoluiu demais. Agora todo mundo tem que marcar forte, antes do meio de campo. Zagueiro marca, lateral marca, volante marca, meia marca, ponta marca, atacante marca. Com isso o que aconteceu é que o único que não marca, que é o goleiro, tem a função de marcar gol agora. Os atacantes recuaram tanto que o jogador mais a frente dos times é o goleiro. E só em bola parada.

E tudo isso começou com um goleiro falsificado: o Chilavert. Mas pudéra, ele é paraguaio. Fazia gol de penalti e de falta, mas agarrar que é bom, nada. E o Chilavert brasileiro, o Rogério Ceni, passou a imitar tanto o ídolo que agora vem esquecendo de agarrar. É cada frango. O Chilavert seria ótimo no futebol americano. Ele entrava na hora de chutar e saia na hora de jogar. Faria sucesso.

Nunca vai ser normal ver um goleiro batendo falta. Não é pro futebol. Apesar dos gols serem bonitos, é estranho. É só ver quem joga time de botão e totó. Como é que faz gol de goleiro com time de botão? Pega aquela hastezinha da costa e dá uma tacada? Aí vira time de botão de hóquei. E totó? O goleiro não pode sair do gol pra bater falta no ataque. Com muita sorte (e falta de reflexo do adversário) é possível fazer gol de goleiro no totó, mas não de falta (até porque no totó não tem falta).

Com as novas tendências do futebol mundial de utilizar cada vez mais o goleiro, a evolução do futebol vai ser para o gol-a-gol. Vai ser assim: o goleiro agarra e bate falta, agarra e bate falta. Fazer travinha não vai ser mais tão engraçado quanto antes. Bons tempos àqueles que o goleiro só tinha que fazer defesas. Feias, bonitas, fáceis, difíceis, mas defesas.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Jornalista que é jornalista, não faz reportagem... Vira notícia!

Isso é que é jornalismo inovador:

Roberto Cabrini é detido em SP.

Sensacionalismo? Talvez. O certo mesmo é que, a pouco tempo trabalhando para Record, o Cabrini tinha uma carreira toda pela frente, entendeu?

P.S.: O título seria "Jornalista que é jornalista não dá notícia... Dá o furo", mas alguém da classe podia se ver prejudicado. A maioria aproveitaria para assumir.

P.S.: Por mais que a notícia seja da concorrente, é verídica.

Au-Autenticado em Cartório

Bons tempos aqueles do Programa do Ratinho, onde eram feitos os exames de DNA para comprovar ou negar a paternidade.

"Cão fará exame de DNA para comprovar paternidade"

E ainda tinham duas musiquinhas que tocavam, uma antes do resultado ("Se for teu/Se for teu/ Teste de DNA vai provar que o filho é teu"), enquanto tudo ainda tava calminho, e a outra depois da confirmação ("Parabéns! Você é papai."), enquanto o pau comia entre os participantes.

P.S.: Só pra constar: alguém já viu como estão linkando as notícias no site da Globo? http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL402306-5606,00-CAO+FARA+EXAME+DE+DNA+PARA+COMPROVAR+PATERNIDADE.html - Interessante essa de colocar todo o título no link.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

E Depois Americano que é Louco

Americanas são aquelas pessoas que vivem num país na América do Norte. Sim, somente elas. Nós, da América do Sul, somos no máximo latino-americanos. Ou cucarachas, como dizem nossos irmãos do norte. Mas também julgamos-os como loucos e insanos, ou como diz a minha mãe "esse povo doido sem nada na cabeça". Não diria nada na cabeça, porque balas acabam atravessando as cabeças de alguns inocentes, vez ou outra, nas universidades americanas de primeiro mundo. Logo, ser estadounidense é ser americano e com forte sintomas de sociopatia e psicopatia.

O que angustia é que, de algumas semanas pra cá, mais precisamente do dia 29 de março (por sinal, dia do meu aniversário), quando Isabella foi encontrada morta no jardim do prédio onde morava, começamos a receber a influência direta de nossos irmãos assassinos. E, por favor, antes de mais nada, não quero falar do pai e madrasta que estão presos. Embora ainda não exista nenhuma comprovação do verdadeiro culpado, o crime é hediondo, sendo o pai ou não, o culpado.

A olhos nus percebo nitidamente no comentário geral que, se o culpado pelo crime for qualquer outra pessoa que não Alexandre Nardoni e a mulher, vai ser mais um crime comum, que vai passar despercebido daqui a algum tempo. O criminoso será culpado e pronto. Acabou. O que, de certa forma, comprova a vontade de julgamento da opinião pública em punir pai e madrasta. De minha parte culpo a imprensa, por levar a suspeita e acusar pessoas premeditadamente, que podem estar sofrendo nesse momento numa cela. E não adianta vir com a história de que o dever do jornalista é humanizar a notícia, pois pai e madrasta também são humanos, assim como suas famílias.

Por conta disso li sobre outra notícia de "menor importância": Filha mata a mãe e vai para show do Calypso. Sim, isso parece ser menos traumático para o povo. Afinal matar os pais é algo que nós já vivemos, quando Suzanne Von Richthofen e o namorado cometeram o crime doloso em... Quanto tempo faz mesmo? Pois é, creio que ninguém lembre mais. E, juro, não tô dando a notícia por não ter simpatia com a banda Calypso. É pelo simples fato do crime ser tão ridículo quanto o anterior.

As notícias mais exploradas na mídia servem, na verdade, como vacinas sociais. Não estávamos prontos para a doença "pai-mata-a-filha-e-joga-o-corpo-pela-janela", mas já tinhamos os anti-corpos da "filha-mata-a-mãe-por-motivo-fútil". Temos tantos anti-corpos que é difícil não estar preparado para muitas notícias do tipo "Roubo e morte em algum canto" ou "Motorista alcoolizado atropela...". O que seria engraçado, se não fosse trágico é o fato de que toda vez que a notícia de algum Americano-maluco-psicopata invade uma escola e mata vinte aparece na mídia, só serve pra nos comprovar de quanto esses caras são malucos. Entretanto, quando tem chacina em algum morro do Rio ou qualquer outra favela de qualquer outra cidade, é como se tivessemos aceitado a violência racional brasileira.

Não defendo o american way of life e suas vertentes, mas taxá-los de malucos assassinos é não olhar para o próprio umbigo (coisa que, diga-se de passagem, é própria dos americanos). Por enquanto ainda nos comovemos com a situação do Tibet, na China. Só não sei por quanto tempo. Alguém lembra onde foi que paramos de sentir as dores de homens-bomba explodindo e matando vinte, trinta no oriente médio?

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cartola é Pouco

Dias desses, olhando as fotos do dia do Yahoo! achei interessante esta legenda:





Estátua do El Caminante de Vitória, no País Vasco, amanhece vestida



Pensei: "Hum! Ainda deve ser brincadeira do dia 1º de Abril. Mas aí eu cliquei na imagem. Eis o resultado:

Ou seja, o seu Euricão é foda mesmo. Transforma um time em País é coisa de quem entende da cartolagem do futebol brasileiro. A única diferença de São Januário pro País Vasco é a estátua. Uma é a do Baixinho, a outra foi a vingança do Eurico com o Romário pela última briga que tiveram.

Vamo lá, Márcio Braga. Eu quero tirar logo o meu visto pro País Flamengo, mané!

P.S.: No País Botafogo é só dar uma choradinha pra entrar.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Duas Historinhas de Verdade sobre a Mentira

Ou duas historinhas de mentira sobre a verdade. Ou as duas coisas.

Primeiro de Abril

Eram cinco, talvez seis amigos que, todo sábado, se reuniam para botar os velhos assuntos em dia.
- Juro que é verdade!
- Não pode. – retrucou Miltinho, depois de ter levado um susto com a declaração de João Jorge.
- Pode sim, Miltinho. O João Jorge já dava uns amassos nela naquele tempo. – confirmou o Pedrosa, velho amigo de ambos.
- Mas a Talma nunca me falou de nada. Ela não tinha porque esconder isso de mim.
Foi um momento tenso no bar. O Arnaldo pediu um tira-gosto pro garçom, Pedrosa e Floriano acenderam um cigarro e o João Jorge serviu uma dose para todo mundo. Só Miltinho ficou parando, com olhar longe, meio triste, meio bêbado. Levantou pra ir ao banheiro, se é que um mictório velho, daqueles impessoais onde todo mundo vê todo mundo, podia ser chamado de banheiro. Miltinho ficou entre a fuga para outra cidade, afinal ter um amigo que já pegará sua mulher era motivo de vergonha, ou o suicídio. Pensou em Paris, mas o dinheiro só dava para ir até o Guarujá. Como era albino, ficou mesmo com a segunda opção.
No banheiro, enquanto amarra a cordinha do sanitário no pescoço os amigos comentavam na mesa:
- O Miltinho é o único que não lembra das datas.
- A Talma uma vez me falou que ele esqueceu o aniversário de casamento. Imagine se fosse comigo.
- Pois é! O Miltinho tem sorte e não sabe. É melhor ninguém contar a verdade que hoje é primeiro de abril.
- É melhor assim!

Vingança

- O trabalho? Ah! Faltou tinta na minha impressora. – era a mais nova desculpa de Pedro.
- Sim, Pedro? Agora vai todo mundo ficar sem ponto porque faltou tinta na tua impressora? Por que não enviaste o trabalho pro meu e-mail? – a Marina era a única que acreditava no que Pedro falava. Talvez por Pedro ser o mais bonito e ela, benza Deus. Talvez por ser inocente ao ponto de ser a última virgem da sala. Ou pelas duas coisas. E mesmo assim, quando o assunto era estudo, não aliviava.
- Mas eu mandei pro e-mail de todo mundo. Não chegou?
- Não! – resposta em uníssono dos outros 4 membros do grupo.
- Então é culpa da internet.
- Mas não banda largar na tua casa?
- É, mas choveu muito ontem.
- E daí?
- E daí que os cabos ficaram balançando na chuva. Pode ter atrapalhado.
- Pô, Pedro! Para de inventar desculpa furada. – algum outro membro do grupo deixou claro que não acreditava nele.
- Não é desculpa furada. Desculpa furada é quando alguém diz que o cachorro comeu o trabalhou, quando diz que caiu na vala da rua, quando diz que deu blackout e apagou o computador...
- Desculpas todas que tu já deste.
Para a surpresa de todos Marina tirou da pasta rosa hello-kitty uma maçaroca de papel e distribuiu em 4. Não deu para Pedro (se bem que a vontade era essa, em outros aspectos).
- Eu fiz um trabalho reserva, já esperando que isso fosse acontecer. E o que ficou decidido na última reunião é que se o Pedro vacilasse, ele sairia do grupo. De acordo todo mundo?
- Eu não!
- Mas o teu voto não é válido, Pedro. O resto do grupo de acordo?
- De acordo. – Em uníssono os outros três. Pedro ficou sem os pontos do trabalho e foi para a recuperação precisando de 9. Tirou 3,5. No ano seguinte não pode vestir o uniforme especial dos alunos do 3º ano. O apelido anafórico Pedro Potoqueiro foi altamente divulgado. Toda a fama de “menino mais gato da escola” caiu para “repetente bonitinho”. Marina ainda chegou a ver o trabalho que, apesar de demorado, chegou de véspera no seu e-mail, mas não abriu com o medo de ter resposta automática no e-mail de Pedro. O trabalho continua habitando o endereço virtual de Marina que, por vingança, deixou Pedro na mão. O fora que ele dera na festa de São João ficou marcado para sempre na vida dela. Posteriormente, na vida dele também. Continuam na mesma escola. Ele, bonitinho, mas ordinário. Ela, virgem.