segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Arte de Procrastinas ou Como Eu Parei de Enrolar para Escrever Esse Texto

Procrastinar é uma arte. Não fazer amanhã aquilo que você pode fazer depois de amanhã tem lá seus desafios. O ato de enrolar até a última hora exige muita criatividade e jogo de cintura. A humanidade é a maior prova disso. Grandes mudanças só ocorreram nas vésperas do pior acontecer. E se aconteceu, é sinal que não era tão pior assim. Tanto que ainda estamos por aqui.

Não confunda procrastinação com pregruiça. Aliás, chamar alguém de preguiçoso não deveria ser uma ofensa. A preguiça não é pecado. Se bem praticada, a preguiça é uma dádiva. Os preguiçosos conseguem apreciar mais do que ninguém cada minuto da vida. Principalmente aqueles cinco minutinhos que ficam entre o despetador e o olhos abertos.

Também não confundir procrastinador artista com artista procrastinador. O procrastinador artista é aquele que mede exatamente o tempo entre o “Cedo demais” e o “Me fodi”. Já o artista procrastinador é o profissional da arte que enrola para fazer seu trabalho. Com raríssimas exceções – desconhecidas até hoje – artista procrastinador é um pleonamo. E do vicioso.

O procrastinador autêntico, o de raiz, tem timing. Mais do que ninguém ele sabe quando começar um trabalho, mesmo que falte dez minutos. Quem procrastina bem está um passo a frente das Leis de Murphy. É o único vício que o dependente sabe a hora de parar. Prazo curto é a maior liga do procrastinador. Não é a toa que passar muito tempo de férias é entediante. Não tem prazos estourando.

O que não vale é procrastinar a troco de nada. A má procrastinação é a que não tem justificativas. Se você enrola para ver o jogo do domingo, tudo bem, pelo menos você torceu e se divertiu. Agora se você continua vendo Faustão depois, aí não tem como forçar. Você pode enrolar para ler Douglas Adams, mas não para Paulo Coelho. Você deve assistir O Poderoso Chefão pela vigésima vez, mas Rambo IV pela primeira é desperdiçar tempo.

Infelizmente algumas pessoas não entendem essa arte. Pensam que qualquer distração é procrastinar. Mentira. Para se tornar um procrastinador artista existe uma regra básica: só procrastine por algo que seja mais interessante que suas prioridades. Sexo é a melhor forma de procrastinar porque, se você não consegue cumprir o prazo, pelo menos você não se fode sozinho.

Para se tornar um grande procrastinador artista é preciso treino. Muitas pessoas tem esse talento nato. Outras aprendem com o tempo. No fundo, a arte da procrastinação é igual a todas. Depende muito mais da intenção do que da interpretação. Quem vê essa arte sendo feita precisa entender o porquê. Senão é como alguém que vê uma obra de Picasso sem ter conhecimento: “É um espanhol maluco que teve preguiça de pintar um quadro direito.”

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De Mim para Mim Mesmo

Tava vendo um dia desses que 70% das postagens em blogs do mundo todo são do blogueiro se justificando sobre o atraso das postagens. Para quem tem blog, não é nada estranho. O problema é que a justificativa sempre vai para ninguém. Absolutamente ninguém.

Sou blogueiro consciente. Sei que não teve nenhum maluco acessando isso daqui diariamente, quiça semanalmente, esperando nova postagem. Nem eu entrei. Até mesmo porque eu, mais do que ninguém, sabia que não tinha nada novo, né não? E se alguém entrou nesse tempo sem nada, com certeza perdeu um tempo precioso da própria vida.

Mas nem tem tanto tempo que eu estou sem postar. O último post foi no dia ou logo depois da morte do Michael Jackson. E ele foi enterrado hoje. Ou seja, ela foi pra debaixo da terra como veio ao mundo: negro. Não tem dose de formol que aguente todo esse tempo. E nem mumificado ele pode ser porque ele já morreu uma múmia.

Bom, mas ao que tudo indica, as novidades prometidas a dois posts atrás estão sendo devidamente planejadas e articuladas. E da mesma forma que eu me justifiquei pra ninguém, eu vou criar a expectativa também pra ninguém. O que é muito bom, porque a única pessoa que teria expectativa sobre alguma coisa seria eu, o que é impossível, já que as novidades todas são de dentro da minha cabeça.

Enfim, é isso. Daqui a algumas semanas esse blog terá um padrão um pouco melhor, uma coisa mais profissa, mais problogger. Espero que alguém, além de mim, me cobre isso. Num futuro próximo a idéia é que esse blog vire um site agradável para ser acessado diaremente, sempre com novas informações.

Ou não.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Don't Stop 'Til Get Enough

Acho que todas as piadas possíveis já foram feitas para a morte de Michael Jackson. As que virão serão igualmente engraçadas, mas já perdem muito sem o calor da notícia. Escrever em blogs, twitters, myspaces, facebooks, orkuts etc. é mais do que redundante hoje. É mais do que um pleonamos vicioso. É necessário.

MJ não foi foda. Ele ainda é foda. Como toda grande estrela - e acredite, ele foi uma das maiores - o mito vai prevalecer por muitos séculos. Excesso de fanatismo? Creio que não. Mas é impossível não reconhecer o que foi Michael Jackson. Uma estrela que já vinha se apagando a um bom tempo. Só que quando entrou em supernova, mostrou mais uma vez porque ainda era uma estrela.

Comparações com outros artistas são desnecessárias. Cada um viveu seu auge em sua época e dizer quem foi melhor é incompreensível. Porém é preciso ter respeito não só por ter feito o albúm mais vendido do mundo, mas também pelo talento. Nunca haverá um albúm que venda mais que Thriller. Nunca haverá um novo fenomeno POP como Michael.

Jamais vou esquecer das horas que gastei vendo repetidamente os LDs - sim, um dia os Laser Discs existiram - que eu tinha de MJ. O moonwalker do clipe de Billie Jean, com as fotos da Polaroid do espião. O gongo tocado por Magic Johnson em Remember the Time e o ciúme que MJ provocou no rei interpretado por Eddie Murphy. A destruição do carro e a transformação em pantera em Black or White. Na coreografia inimitável - mas que muitos sabem alguns passos - de Thriller. Enfim, poderia citar muitas outras cenas que estão cravadas na minha cabeça até hoje.

Não sei se era dúvida a alguém, mas nunca mais haverá um artista com o tamanho do sucesso de Michael Jackson. Nunca. E não é só pela falta de surgimento de novos talentos. O mundo viveu o apogeu do POP com MJ e tudo o que veio depois não fará nem feridas em seu reinado. Essa foi uma monarquia muito parecida com muitas outras: escândalos, excessos, acusações, especulações, mundo de fadas. Mas o que diferencia essa das outras é que nessa o rei morreu, mas ninguém ousará assumir esse trono.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Projeto Futuro

Não que esse seja um lugar onde o compromisso com a regularidade existe. Mas é sempre bom explicar a quem passa por aqui ocasionalmente que mais um tempo de escuridão nas postagens se aproxima. Não, não é nada de mau. Só que, mais uma vez, vou tentar transformar um blog em uma coisa séria.

Pra falar a verdade, não existem muitos projetos além de postar com regularidade, tanto textos quanto videos, fotos, imagens e comentários, e também a criação de um podcast com a cara desse blog: totalmente descompromissado. Se vai dar certo eu não sei, mas é melhor morrer tentando do que só morrer, não é?

Acredite, isso não é um sonho passageiro de me tornar problogger, até porque se meu maior sonho fosse esse era melhor morrer antes de tentar mesmo. Todo esse "projeto futuro" vai servir pra o que sempre serviram os meus blogs: como testes e exercícios de texto, comunicação e um pouco de vadiagem também.

No mais é só o que eu posso falar agora. Não vai ter surpresa nenhuma, não. Isso é o que eu posso falar porque é só o que tenho. O resto é pura piração.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Corredores, Gôndolas e Tudo o Mais

Sempre achei todo supermercado uma bagunça. Por mais arrumado e elitizado que seja, nenhum produto está no local onde realmente deveria estar. Quando eu era criança, por exemplo, não entendia porque os salgadinhos não estavam no mesmo corredor que os refrigerantes. Não fazia sentindo nenhum o meu chocolate preferido estar a gôndolas de distância dos potinhos de iogurte. E pior: o leite condensado, um néctar dos deuses, ficar ao lado de algo tão sem graça como o creme de leite.

Os supermercados fazem de tudo para você ficar com peso na consciência. Já percebeu que produtos light e diet sempre ficam depois dos produtos normais? Não há ser humano que não pensei duas vezes em trocar por um suco de soja aquele refrigerante hipercalórico que já está no carrinho. Está para nascer o homem que não fique deprimido de pegar comidas congeladas gordurosas olhando para todas aquelas opções de hortaliças e verduras bem ao lado. Ah! Sem falar que colocar as frutas ao lado do freezer de sorvete é a maior sacanagem de todas.

Por que, por exemplo, as cervejas sempre ficam no lado oposto dos aperitivos? Esse corredor deveria seguir uma lógica: depois da cerveja, amendoins, castanhas, batatas e qualquer coisa que dê para beliscar. Sem contar, é claro, que a picanha deveria estar logo ali, passando o ovo de codorna, antes do carvão. Até entendo que botem as carnes ao fundo do supermercado, mas colocar barrinhas de cereais e biscoitos logo no outro corredor? Dê-me paciência.

Vinhos deveriam estar sempre ao lado da massa e do molho que combinam. Seria quase que obrigatório levar o kit completo. Um fettuccine ao molho Carbonara tinha que vir com qualquer tinto ligeiro. E um segurança devia ficar lá, de prontidão, para reprimir aquele que ousasse levar uma lasanha à bolonhesa com vinho branco. O que também evitaria aquele papo de enochato que gosta de ficar sugerindo vinhos estranhos para comidas simples. É aquilo que está ali e acabou.

Mas o que basicamente me irrita em supermercados é o nome que eles dão para cada corredor. Por um acaso na seção de enlatados eu consigo encontrar latinhas de refrigerante? Até onde me consta lata é lata, não importa o conteúdo. E o leite em pó que vem em lata? Não está nem nos enlatados, nem nos laticínios. Vá entender. Aliás, a parte dos laticínios é a mais sem noção de todas. Tem leite integral, leite semidesnatado, leite desnatado e ovos. É isso mesmo, ovos. Aí sempre alguém fala "Ah! Mas ovos podem ser considerados laticínios." Tudo bem. Mas se nem os queijos, nem a manteiga estão nessa seção, por que os ovos deveriam estar? Na verdade, o corredor dos laticínios não é problema do supermercado. É da língua portuguesa.